sábado, 3 de julho de 2010

O elevador sobe, e o metrô para



Maria Luisa de Melo, Especial para o Jornal do Brasil

Uma queda no fornecimento de energia elétrica durante a manhã desta quarta-feira, em um trecho da Linha 1 do Metrô, deixou os trens das estações Cardeal Arco Verde, Botafogo e Flamengo paralisados das 9h30 às 9h42. A concessionária Metrô Rio informou apenas que houve “queda de energia nos trilhos”.

O problema pode ter sido provocado pela inauguração dos elevadores de acesso ao Morro do Cantagalo, em Ipanema, pois, segundo a Secretaria estadual de Transportes, a fonte de energia que alimenta ambas as estruturas é a mesma. O diretor de engenharia do Metrô, Bento José de Lima, no entanto, negou que os dois fatos tenham relação.

Para o presidente do Sindicato dos Metroviários do Estado do Rio de Janeiro (Simerj), Rubens Foligno, só a Metrô Rio poderia explicar a causa do problema, que gerou insatisfação dos usuários e muita reclamação.

– A ligação dos elevadores pode ter feito a energia elétrica das três subestações (Cardeal Arco Verde, Botafogo e Flamengo) ser interrompida. Mas o problema também pode ter sido causado pelo descuido de algum operador, porque 12 minutos geralmente é o tempo que o sistema leva para ser restabelecido. Alguém pode ter desligado acidentalmente um disjuntor e o sistema levou um intervalo de 12 minutos para voltar ao normal. Só o Metrô Rio tem como apontar a causa da queda de energia.

Ao todo, cerca de três mil pessoas (o equivalente a dois trens cheios) podem ter sido prejudicadas pela queda de energia, já que o intervalo de 12 minutos equivale ao espaço de tempo em que duas composições embarcariam passageiros.

A concessionária informou que apesar do problema durante a manhã desta quarta-feira, nenhuma estação chegou a ser fechada. A Linha 2 (que faz o trajeto de Pavuna a Botafogo) não foi prejudicada.

sábado, 26 de junho de 2010

Bonde com 15 homens do CV matam três bandidos da ADA e um eletricista inocente


Colaboração de Malu Melo
Fotos de Pedro Pantoja



Uma guerra pela disputa de pontos de venda de drogas entre traficantes de facções criminosas rivais deixou quatro mortos na Favela Vila Candoza, no bairro Jóquei, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Um dos mortos seria um eletricista inocente que estava em um bar na Estrada do Coelho, principal via de acesso à favela, quando bandidos do Comando Vermelho (CV) chegaram no local e mataram traficantes da facção Amigos dos Amigos (ADA) com tiros de fuzil e explosão de granadas. No confronto, outros dois homens ficaram gravemente feridos.
Segundo informações de policiais do 7º BPM (São Gonçalo), nos últimos dois meses, outras tentativas de invasão já foram sido registradas naquele local.
Os bandidos invasores entraram na Vila Candoza por volta de 3h40, dentro de dois carros, passando por um morro cujo acesso é permitido pelo Complexo do Anaia e Vila Almerinda, através da Rua José da Silva.
Ainda segundo informações da PM, o bonde era composto por 15 homens fortemente armados, que ao adentrar a favela chegaram ao principal ponto de observação do tráfico de drogas, um pouco acima da boca de fumo, próximo a um bambuzal. Lá, o gerente do tráfico de drogas, conhecido como Dudu Cabeção, foi torturado e morto e um de seus homens de confiança, um olheiro identificado apenas como Cleiton também foi morto a tiros.
De acordo com moradores da localidade, a venda de drogas durante a noite e a madrugada foi feita, excepcionalmente, no bar da esquina, já que os traficantes tinham organizado uma comemoração na sede da boca sem imaginar que traficantes do Comando Vermelho apareceriam na calada da noite. Depois de renderem o olheiro e o gerente do tráfico local, os bandidos do CV partiram para o bar, onde estava sendo feita a venda de drogas.
No local, executaram um outro homem, identificado apenas como Sapão – que estaria vendendo drogas. O eletricista Sebastião Jacob de Oliveira, 39 anos, foi rendido quando estava no banheiro do estabelecimento.
Ainda segundo informações de moradores, Sebastião chegou a pegar a carteira para se identificar. No entanto, os bandidos foram mais rápidos e mataram o morador com diversos tiros de fuzil antes dele abrir a boca e explicar que não estava a serviço do tráfico local.
A Polícia investiga de onde seriam os bandidos responsáveis pelo crime. Segundo a PM, os traficantes podem pertencer ao Complexo do Salgueiro, no bairro de mesmo nome, e ao Complexo da Coruja, em Neves, já que são complexos de favelas pertencentes ao Comando Vermelho e de maior influência na região. No entanto, a origem dos assassinos não havia sido descoberta até o fechamento desta edição.
Uma das quatro granadas utilizadas pelos bandidos teve que ser detonada por policiais do Esquadrão Antibombas, na manhã de ontem.
Os moradores da localidade, apesar de assustados, disseram que a chacina já estava anunciada.
“Não é de hoje que o Comando Vermelho está tentando tomar essa favela. Eles sempre tentaram e desta vez, conseguiram deixar um enorme estrago aqui, matando inclusive um inocente”, informou um pedreiro de 50 anos.
Uma outra moradora, que vive na parte superior do bar e também preferiu não ter sua identidade revelada, contou o momento de terror que viveu quando os traficantes atiraram contra sua casa.
“Eu estava dormindo, levei um susto enorme. Eu, minha filhinha de quatro anos e meu marido ficamos abaixados no chão durante todo o tempo com medo que os disparos contra a fachada nos atingissem”, contou a dona de casa.
As investigações estão sob responsabilidade de policiais da 75ª DP (Rio do Ouro). Qualquer informação que auxilie a Polícia e ajude a identificar e localizar os criminosos pode ser repassada pelo Disque-Denúncia, através do telefone 2253-1177. Não é preciso se identificar.

sábado, 17 de abril de 2010

Tráfico de drogas engole crianças e adolescentes no Rio



Foto: Divulgação.

“Eu comecei com 13 anos e já matei cinco pessoas”. A afirmação pode parecer, à princípio, descontextualizada. Mas é inegável que ela remeta a um cenário de violência. Gustavo, mais conhecido como B.N, vive no Complexo do Alemão desde que nasceu. Aos 13 anos, passou a integrar o tráfico de drogas local. O caso integra um cenário que vai de encontro a dados do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP): 27,3 % das crianças e adolescentes apreendidos em todo o estado tinham envolvimento com o tráfico de drogas.

De acordo com o mais recente Dossiê da Criança e Adolescente, divulgado em 2007, pelo ISP, o tráfico de drogas e o roubo são os delitos cometidos por jovens infratores menores de 18 anos com maior número de registros no Rio de Janeiro.
Para o desembargador Siro Darlan, que ocupou por 14 anos a 1ª Vara da Infância e Juventude do Rio, os casos de violência envolvendo jovens infratores trata-se de uma resposta dada ao desrespeito dos direitos da criança e do adolescente. “O ser humano reage à exclusão. Antes de entrar para o crime, muitos jovens procuram alternativas de trabalho. Eles tentam vender bala, procuram uma atividade que lhe renda o sustento. Mas com as portas fechadas, muitos acabam sendo acolhidos pelo tráfico, que oferece poder e dinheiro fácil”, explicou o desembargador.

No caso de B.N, a função do adolescente era apenas vender drogas no Complexo de favelas da Zona Norte da cidade. Depois de ganhar a confiança de seus superiores na boca de fumo local, sua juventude passou a ser mais dedicada ao tráfico - ele passou a integrar o grupo responsável pela “contenção” (segurança) do Complexo.

Hoje, com 18 anos, B.N orgulha-se de ter matado cinco pessoas. “Traficante não mata por qualquer motivo não. A gente só mata X-9, invasores da favela e PMs”, explicou.

No entanto, para Siro Darlan, as declarações do rapaz, que diz ser integrante do Comando Vermelho, não passam de uma forma de defesa. “É uma maneira de dizer que são ‘o bicho’, de impor medo e respeito ao mesmo tempo. Mas quando você vai analisar, aquele jovem não matou ninguém. É como se fossem bichos acuados que dizem que fizeram e aconteceram como estratégia de defesa, para se sentir respeitados”.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Seminário de Justiça discute surgimento do Comando Vermelho e ditadura militar

Depois de assistir ao filme "Quase dois irmãos" (2004; Lucia Murad), que trata da relação entre presos do regime militar e os ditos "presos comuns" na penitenciária de Ilha Grande-RJ no qual surgiu na mesma época o Comando Vermelho (uma das principais facções criminosas responsável pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro), Ignácio Cano e Sílvia Ramos iniciaram um debate sobre o possível acesso a arquivos e documentos da época do regime iniciado em 1964 e das semelhanças entre o Rio de Janeiro da época e o atual.

Sobre a abertura dos arquivos da ditadura militar, Ignácio Cano (professor do Departamento de Ciências Sociais da Uerj), acredita que essa possa ser uma maneira de minimizar o sofrimento das milhares de famílias que tem entes desaparecidos até hoje. "Enxergar o passado é uma obrigação do país e uma forma de prevenir o futuro. A lei de anistia (de 1979) proíbe a punição dos responsáveis pelos crimes de tortura e assassinatos, mas mesmo assim o Brasil é incapaz de abrir os arquivos da ditadura. As pessoas precisam saber o que aconteceu, tem que saber onde estão os corpos dos seus parentes desaparecidos".

Além disso, o especialista em segurança pública confrontou a postura do exército brasileiro com a de outros países que também passaram por um regime ditatorial: "Na Argentina e no Chile, por exemplo, o exército já reconheceu o drama e os erros da ditadura militar. Mas o exército brasileiro é incapaz de fazer isso. E o que mais me indaga é que isso nos mostra o quanto os civis ainda estão subordinados aos militares".

Para Antônio Duarte, condenado a 12 anos de prisão em 1966 sob acusação de ter realizado motim, o filme não revela o que realmente acontecia nas prisões que abrigavam presos condenados por crimes diferenciados. E sobre a acusação, que segundo ele está implícita no filme de Lúcia Murad, de que os presos políticos teriam ensinado os presos por crimes comuns a se organizar, culminando no nascimento do Comando Vermelho, ele desabafa:
" Os presos por crimes políticos não ensinaram os demais a se organizar. Pelo menos eu não notei isso durante o tempo em que fiquei preso na penitenciária Lemos Brito (uma das penitanciárias do Complexo Frei Caneca, localizado no centro do Rio). Não havia esse diálogo entre esses dois grupos que o filme mostra. A "falange vermelha" não aprendeu a se organizar conosco. E se eles aprenderam a se organizar na convivência conosco, aprenderam a roubar com a elite brasileira".
Para Sílvia Brito, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, há semelhanças do período militar com o que estamos vivendo hoje na cidade do Rio de Janeiro.

"O número de homicídios no Brasil é de 25 a cada 100 mil habitantes, já quando trata-se da cidade do Rio de Janeiro, este número sobe para 120 homicídios a cada 100 mil habitantes. É preciso pensar nisso quando se pensa em transição de Justiça. O Rio de Janeiro de hoje apresenta muitas semelhanças com o Rio de Janeiro do regime militar.".

O encontro, ocorrido na Uerj entre os dias 17 e 19 deste mês, foi uma iniciativa da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça e do Laboratório de Políticas Públicas (Uerj).

Escrito em: 20 de nov de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Apitaço de professores grevistas agita 19ª Uerj sem Muros


Manifestação dos docentes por reajuste salarial e plano de carreira marcaram evento

Barulho. Essa foi a palavra que marcou a 19ª edição do Uerj sem Muros, evento promovido pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro entre os dias 20 e 24 de outubro cujo objetivo é divulgar os cursos oferecidos e mostrar a produção acadêmica da universidade para toda a sociedade, especialmente para alunos do Ensino Médio. Durante a apresentação dos trabalhos dos graduandos da Uerj, alguns docentes que estão em greve há mais de um mês, vestidos de preto promoveram um apitaço que chegou a irritar alguns estudantes.

“Quem deveria estar ouvindo essa barulheira não está aqui. O reitor não está aqui e aqui não é o Palácio Guanabara. Os professores estão apitando para as pessoas erradas, nós não podemos atender às reinvindicações deles”, desabafou a estudante do 6º período de Pedagogia, Michele Azevedo.

Uma das “apitandas”, a presidente da Associação dos Docentes da Uerj, Inalda Pimentel, esclareceu os motivos da manifestação que, segundo ela, visou conscientizar os visitantes dos atuais problemas da universidade: “O intuito do apitaço e dos adesivos foi conscientizar a população interna e externa de que a Uerj precisa ser melhor vista pelo Governo do estado. Se o descaso continuar como está, a Uerj não vai ter muros mesmo. Nem prédio, nem nada”, desabafou.

Sobre as reinvindicações da categoria, Inalda esclareceu: “Hoje nós estamos sem a verba necessária para a Universidade e sem um salário justo. O Uerj sem Muros poderia ser um evento muito maior do que está sendo hoje”.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Eles fedem? Pode ser.

Estava eu no início da minha vidinha acadêmica, feliz da vida por ter ingressado na Uerj, quando passei pela Rua Felipe Camarão na altura da Praça Maracanã, com aquela pressa de estudante que mora longe da Universidade e que está sempre atrasada. Foi quando um moleque de mais ou menos nove anos atravessou o meu caminho. Longínquo caminho do ponto de ônibus até a Universidade ,diga-se de passagem.

Eu levei um susto, mas ele nem olhou direito na minha cara e disse, meio grogue: "Aí colega, dá uma moeda aí. É para comprar um negócio pra comer". Eu, sem pestanejar, respondi: “Não tenho!”. E disparei rumo à aula, me borrando de medo do garoto ir atrás de mim e se vingar do meu “não”.

Passados um ano e meio de constantes “idas” e “vindas” da minha casa para a aula e da aula para o curso de Inglês, notei que pouca coisa mudou no cenário Vila Isabel -Maracanã. As crianças sujas, fedidas e grogues carregando uma garrafa pet (sabe-se lá com o que dentro) debaixo do braço continuam nas mesmas esquinas. Pedindo dinheiro para comprar “coisas para comer”, o que a gente sabe que infelizmente não é verdade.

E o pior é que a situação na qual vivem esses menores não impressiona mais ninguém. Mas me indagou. Quis saber quais as medidas tomadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social para o acolhimento delas, se há algum projeto específico para crianças químico-dependentes, de onde elas vem entre muitas outras coisas.
Isso virou uma matéria que estará disponível no site www.noticiasdavila.uerj.br a partir do dia 17/09. Confira!